Data da publicação: 17/02/2017 publicado por Valdeci Junior

Custo de estoque, estes números não podem passar desapercebidos

Custo de estoque, estes números não podem passar desapercebidos.


Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que é plenamente compreensível e indicado focar esforços nas vendas, mais para que realmente a venda seja efetiva, bem negociada e gere lucro é preciso ter o custo do produto bem calculado e em fácil acesso.


[Reflexão]

Quando o dia começa, o telefone começa a tocar, e os muitos compromissos diários começam a aparecer se torna extremamente difícil gerir pequenos detalhes e então como é o de costume donos de empresa, gerentes e vendedores começam a focar os esforços em vendas, marketing, administração de pessoal e o estoque acaba ficando de lado e isso não deveria ser assim.

Não é tão difícil encontrar empresas que realizem vendas em valores consideráveis, que movimente dinheiro entre recebimentos e pagamentos mas que no fechamento do período sempre se está apertado para pagar os funcionários ou retirar o pro-labore dos donos, concorda?
Pois bem, após alguns anos de consultoria de sistemas em empresas posso afirmar que isso acontece bem mais do que deveria e entre outros inúmeros fatores um dos pontos que precisa ser analisado é como anda o custo do seu estoque pois além de isso influenciar nos impostos a serem pagos, também influência nos lucros que a empresa gera de fato.

Quem trabalha com venda de produtos, seja produzido internamente ou simplesmente comprando e vendendo produtos já deve saber que sempre que se vende um produto não se pode considerar que o valor total vai para o caixa, mais sim o valor de reposição, impostos e comissões deve ser descontado do valor em que o produto foi vendido. Para ficar mais claro de exemplificar vamos imaginar a seguinte venda:

(A) Venda produto: R$ 100,00
(B) Impostos: 15%
(C) Comissão 5%
(D) Custo produto: R$ 45,00

Lucro = A - B - C - D
Lucro = 100 - 15 - 5 - 45
Lucro = R$ 35,00

O Lucro do produto vendido deveria ser considerado somente após minimamente ser subtraído os valores de impostos, comissões e reposição. Óbvio que demais custos poderiam ser subtraídos como custos de armazenagem, manipulação entre outros poderiam ser considerados porém para simplificar o exemplo somente estes serão considerados.

É exatamente neste ponto em que a análise de custo do produto começa a ser necessária pois há basicamente três formas de olhar para ele, e isso precisa ser definido de acordo com a estratégia que se tem para a venda do produto em questão.

O custo de um produto por definição deve ser calculado sempre que uma nova entrada para o produto aconteça e então aquele novo produto recém chegado, se "mistura" aos produtos que já estavam no estoque comprados com valores diferentes e em datas diferentes.

PEPS ou FIFO:

O primeiro que entrar será o primeiro a sair (first in, first out). Neste método, usa-se o custo do lote mais antigo quando acontece a venda da mercadoria até que se esgotem as quantidades desse estoque e então, parte-se para o segundo lote mais antigo e assim por diante.

Este método indica uma análise de custo real, o que foi pago por determinado produto será considerado para conseguir analisar o lucro. Para melhorar a análise poderia ser corrigido pela inflação atual.

UEPS ou LIFO:

O último a entrar será o primeiro a sair. O custo do estoque neste método será determinado como se as unidades mais recentes adicionadas ao estoque (últimas a entrar) fossem as primeiras unidades vendidas (primeiras a sair). Desta forma, este método expõe principalmente os custos de reposição do estoque e isso é muito interessante para produtos que precisam estar sempre disponíveis porém, este método deve ser usado apenas administrativamente pois não é aceito pelo FISCO brasileiro como um método real de valorização do estoque como um todo.

Custo Médio Ponderado:

O custo médio ponderado é o mais aceito e usado pelo FISCO juntamente com o método PEPS, este método valoriza ou desvaloriza o estoque proporcionalmente pois soma-se o valor total da entrada ao valor total do estoque existente e então divide-se pela quantidade total dos produtos e desta forma chega-se ao custo médio. O Custo médio ponderado vê o valor do estoque como um todo e acaba refletindo a situação atual da empresa, porém em minha visão para quantidades de produtos um pouco maiores acaba escondendo o custo real do produto e isso pode causar problemas.

Veja a simulação dos 3 casos abaixo:

Data Entrada Saida Vlr Unitario Qtd em estoque Custo do movimento Custo PEPS Custo UEPS Custo Médio Lucro PEPS Lucro UEPS Lucro Custo médio
02/mar 18 R$889,02 R$49,39 R$49,39 R$49,39
04/mar 20 R$50,80 38 R$1.016,00 R$49,39 R$50,80 R$50,13
11/mar 1 R$80,00 37 R$80,00 R$49,39 R$50,80 R$50,13 R$30,61 R$29,20 R$29,87

Como já foi dito, é claro que muitos outros custos devem ser considerados para chegar ao lucro de fato, porém o custo do produto é um destes custos e perceba como pode variar.
Vale a pena lembrar que esta analise deve ser considerada junto com a estratégia para o produto. A contabilidade e o fisco normalmente utilizam o custo médio porém nada impede que administrativamente para ajustar os valores de vendas e analisar o todo utilize outros formas de análise de custo.

Os detalhes fazem a diferença, controlar tudo pode ficar difícil mais é para isso entre outras coisas que o sistema de gestão da Si14 foi criado então se atentem também ao estoque da empresa e assim será possível controlar melhor a empresa como um todo.

Valdeci Junior

Valdeci Junior

Sócio proprietário na Si14 Tecnologia